Bartolomeu Dias por Bartolomeu Dias: como se definiria?
Sou um cidadão que começou no ramo comercial e industrial como qualquer outro cidadão de negócios, que graças ao dinamismo e à vontade de querer vencer, hoje representa o grupo Bartolomeu Dias que é composto por várias empresas em diferentes sectores da economia nacional.
Com perspectivas boas para o futuro, criando mais oportunidades de emprego e a ajudar o desenvolvimento do país que é o objectivo de todo o empreendedor.
O que ser empresário em Angola?
Não sou aquele empresário que apresenta primeiro as dificuldades. Em qualquer parte do mundo podemos encontrar dificuldades. Agora cada país tem as suas características e estamos num país africano, temos os nossos problemas e as pessoas que estiverem em África têm que se adaptar a estas condições.
Infelizmente temos ainda muitos problemas burocráticos, mas é preciso as pessoas acreditarem que quem tem de mudar estes problemas somos cada um de nós.
Todos os problemas que surgirem vamos ter que vencê-los, um a um. Esta é a minha forma e filosofia de trabalho. Não me queixo muito das dificuldades, porque foi dentro delas que criei este grupo. O mais importante é haver paz, que é a base de tudo. O resto o homem é quem faz, o homem transforma tudo.
Como é que olha para a concorrência nacional e estrangeira?
A concorrência para qualquer pessoa física ou jurídica que está no mercado de forma independente é bem-vinda e acho que o homem é feliz a competir quando dentre vários grupos ganha um lugar de destaque. E assim vai ganhando outra posição no mercado.
A concorrência civilizada é salutar no mundo dos negócios, desde que apresentemos aos nossos consumidores produtos, bens e serviços de qualidade. Hoje já se verifica em Angola cliente que exige. Acho que isto é um dos elementos que o país ganhou desde que abriu o mercado ao mundo.
Nós, os empresários angolanos, não temos que impedir a entrada dos empresários estrangeiros porque o mundo está globalizado. Quem estiver neste mundo de negócios tem que ter cultura empresarial, e é isso o que falta a muitos.
Existem incentivos para o investidor nacional?
Hoje falar de incentivos não é fácil, mas na qualidade de angolano tenho que reconhecer que o governo tem alguma dificuldade de ordem organizacional. Está a se organizar agora, porque saiu de uma situação de conflito que durou muitos anos e nós não podemos contornar essa verdade.
Já recebemos incentivos do governo, montei a fábrica de óleo alimentar. O governo no mês de Dezembro agravou as taxas de importação do óleo alimentar porque já existe fábrica no país. E acredito que os sectores que ainda não foram abrangidos, nos próximos tempos verão esta situação mudada.
Temos que deixar também o governo trabalhar e se organizar. E hoje já há sinais de mudanças em todos os sectores.
Quais os sectores de negócios em que aposta?
Em termos de indústria estou virado à alimentar. Temos conhecimento que o nosso parque industrial deixou de existir, é preciso que as pessoas invistam na industrialização do país para sua estabilização. Na área da aviação, estou porque gosto - o meu sonho era ser piloto e esta é uma área que trabalho com carinho -, quero crescer muito nesta área e os indicadores mostram que é possível. O nosso mercado é bom e a região também.
Tenho a área da imobiliária, informática e outras onde investimos. Mas a indústria, aviação e imobiliária são as prioritárias.
Para quando a internacionalização do grupo Bartolomeu Dias?
Às vezes é uma questão de vaidade querermos internacionalizar os nossos grupos, as nossas empresas. Os grandes grupos querem vir investir em Angola porque é o país que mais cresce no mundo. Porquê vou tirar daqui para o exterior? Ainda não faço isso porque tenho que procurar um mercado melhor que o meu. Não vou sair apenas para dizer que tenho empresas no exterior.
Mas tenho alguns escritórios de representação fora do país que fazem pesquisa dos produtos que nós queremos importar, mas investir em grande escala num país que não seja Angola por agora não faço.
A responsabilidade social também é uma preocupação do Grupo?
Hoje o país todo fala de responsabilidade social, mas temos que pensar já no amanhã. Construímos as empresas para continuar é neste espírito que o meu grupo está a oferecer escolas de informática aos governos provinciais para apoiar aquelas famílias que não têm possibilidades.
Acordamos com os governos provinciais seleccionar trimestralmente nas escolas os alunos com notas altas, com maior aproveitamento para beneficiaremse de uma formação gratuita na área da informática. Estamos com uma perspectiva de oferecer mais de 200 computadores pelo país todo.
E quanto ao futuro do Grupo Bartolomeu Dias, o que dizer?
O futuro são os vários projectos que estão em carteira, queremos que haja estabilidade política, económica e social no país para que o futuro das nossas empresas seja risonho.